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HORMONIOS MODIFICAM PRODUÇÃO DE PROTEINAS PELAS CÉLULAS

Terça-feira, 15 de outubro de 2002

Revista Galileu

Os hormônios naturais, como o estrogênio, a progesterona e o cortisol têm um papel mais importante do que se imaginava na produção de proteínas pelas células. Em recente pesquisa realizada pelos cientistas da Universidade Baylor, em Houston (EUA), descobriu-se que esses hormônios, também chamados de esteróides, não agem apenas ativando o DNA da célula a começar a síntese da proteína, mas também interferem no processo.

A transcrição é o processo em que o DNA presente no núcleo forma moléculas de RNA-mensageiro, assim chamados porque levam a informação genética até outra estrutura celular presente no citoplasma: os ribossomos. É nos ribossomos que as moléculas maiores de proteína são sintetizadas. O tipo de proteína formada vai depender da seqüência de genes do RNA-mensageiro.

De acordo com o autor do trabalho, Dr. Bert O´Malley, presidente do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade Baylor, os hormônios não apenas induzem a esse processo como também alteram a cadeia do RNA-mensageiro. Quando o RNA ainda está se formando, as moléculas de esteróides retiram certos exons (segmentos da cadeia), o que leva à formação de uma proteína diferente.

Assim, um gene pode produzir diferentes tipos de RNA mensageiro, resultando em diferentes proteínas. O processo é chamado "alternative splicing."

"A ação hormonal é uma das explicações para o fato de os 30.000 genes humanos formarem mais de 100.000 proteínas", diz O'Malley. "Talvez, quando se diz que os hormônios funcionam bem ou mal, não seja porque eles confeccionam muito ou pouco de uma proteína, mas sim porque fazem a proteína errada", afirma, indicando que essas disfunções podem estar relacionadas a todos os tipos de doenças.

Segundo o professor do Depto. de Microbiologia da Universidade Federal de São Paulo, Dr. Marcelo Briones, o estudo é importante pois explica funções básicas da vida intracelular que até o momento não eram conhecidas. "Os cientistas de Baylor usaram uma tecnologia inovadora para marcar e observar o caminho das substâncias químicas dentro da célula, e só assim conseguiram atingir esse resultado", afirma.

Os cientistas norte-americanos defendem que a descoberta torna possível o desenvolvimento de drogas que mudem o tipo de proteína confeccionada a partir de um certo gene. Mas, para Dr. Marcelo Briones, ainda é muito cedo para planejar o uso dessa informação como anteparo para a fabricação de remédios. "Por enquanto é apenas uma descoberta relevante sobre a microbiologia elementar", afirma.

Universidade Baylor





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