RADIOTERAPIA MAIS PRECISA QUE NUNCA COM O ACELERADOR LINEAR DE INTENSIDADE MODULADA
Por Alfredo Arango
Redator Médico / SAUDE MIAMI
Um novo equipamento, capaz de eliminar células cancerosas com maior eficácia e sem causar tantos danos a tecidos normais, já está em funcionamento em alguns hospitais dos Estados Unidos
“A tecnologia trouxe maior perfeição à técnica de combate ao câncer, pois nos permite moldar o feixe de radiação emitida pela máquina (o acelerador) numa forma igual ou bem próxima da do tumor, de forma que podemos destruí-lo sem causar maiores danos aos tecidos adjacentes saudáveis”, afirma o oncologista-radioterapeuta do Aventura Hospital and Medical Center de Miami, Dr. Jaime Zusman.
Essa técnica de irradiação ficou conhecida como radioterapia com feixe de intensidade modulada (I.M.R.T.- intensity modulated radiation therapy). “Existem aceleradores lineares na América Latina, porém eles não têm a capacidade de realizar esse tipo de tratamento”, afirma o médico. “Para fazê-lo, o equipamento tem de dispor de um sistema especial que delimita a trajetória do feixe radioativo, dando-lhe a forma do tumor. Esse sistema chama-se colimador de folhas múltiplas. Essa folhas são de tungstênio e servem para bloquear a passagem da radiação. O colimador não pode ser adaptado a todos os aceleradores lineares”, declara.
As diversas formas que os feixes de irradiação podem assumir são previamente programadas por computador, levando-se em conta os diferentes ângulos pelos quais os médicos poderão aplicar os feixes de radiação. Em outras palavras, à medida que o feixe de radiação vai se deslocando, durante a sessão de radioterapia, vai tomando novos contornos, uma vez que o tumor tem formas diferentes em cada um de seus lados. O programa de computador permite aos médicos e técnicos definirem as formas dos feixes de radiação e as doses de radiação que devem ser aplicadas a partir de cada ângulo, quando se deve administrar menos ou mais, reduzindo, assim, as margens de erro.
“Antes da construção deste centro (Centro Integral do Câncer, do Aventura Hospital), que é um dos mais modernos da Flórida, ele foi muito bem planejado. Seus criadores foram previdentes e decidiram instalar esse equipamento que custa cerca de um milhão de dólares. A ele são agregados outros equipamentos, como o colimador e o de tomografia axial computadorizada (CAT Scan, que é necessário para capturar imagens), elevando o custo total para cerca de dois milhões de dólares. “Esses custos é que dificultam a instalação desses equipamentos em hospitais da América Latina. Fora isso, o pessoal técnico que manuseia os equipamentos devem ser muito bem treinados, porque se requer precisão absoluta durante a aplicação do tratamento. Aqui, nós trabalhamos com uma equipe de profissionais capacitados, que inclui o físico Womah Neeranjun e a dosimetrista Betty Martínez, que são responsáveis pelo planejamento no computador das indicações do tratamento”, afirma o Dr. Zusman.
“Aqui nos Estados Unidos, estamos muito avançados em radioterapia, uma especialidade em que todos os avanços técnicos são muito relevantes, mais do que em outras áreas. Nesse campo, ocorreram avanços nos últimos dez anos que mudaram, realmente, a natureza dessa especialidade médica. Por exemplo, quando eu terminei meus estudos de medicina, aqui nos Estados Unidos, o departamento de radioterapia do hospital em que trabalhava oferecia, na maioria dos casos, tratamento apenas de caráter paliativo aos pacientes com câncer. Isto é, cuidava de pacientes que já estavam em estado terminal da doença, para aliviar a dor e reduzir seu sofrimento em seus últimos dias de vida – e não para curar. Porém, nos últimos 15 anos e, mais ainda, nos últimos cinco anos, o tratamento do câncer sofreu uma tremenda reviravolta. Hoje, de 80% a 90% dos pacientes recebem tratamento para a cura do câncer e não apenas tratamento paliativo. Tratamos muito mais pacientes com radiação, para curar o câncer de próstata e o câncer de mama (preservando o seio), de uma forma bem melhor do que fazíamos há alguns anos. Outro exemplo: há dez anos, os cirurgiões extirpavam laringes com câncer; o paciente perdia a fala e tinha de aprender a falar usando o esôfago ou pequenos aparelhos, no caso dos que foram submetidos a traqueotomia. Os resultados eram devastadores. Hoje em dia, está claramente demonstrado que não é necessário, na maioria dos casos, extirpar a laringe. Uma alta percentagem de pacientes são tratados com quimioterapia e radioterapia, o que possibilita a preservação da laringe”, declara o médico.
A radioterapia com feixe de intensidade modulada tornou possível tratar tumores cerebrais a milímetros dos olhos, sem prejudicar a visão. Os médicos também podem tratar tumores recorrentes em locais que já foi administrada radiação anteriormente e não é mais possível administrar a radioterapia convencional. “Com esse tratamento é possível aplicar doses mais altas na próstata, resultando em um aumento de 20% a 30% de pacientes curados”, diz o Dr. Zusman.
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